Site de Lula exalta combate à corrupção nos governos do PT e ignora mensalão!
A postagem não faz qualquer referência ao escândalo de compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do governo Lula.
Brasil, 26/08/2014 Estadão Conteúdo / portal@d24am.com

Brasília - Lançado há duas semanas como forma de mostrar o que considera a verdade não divulgada pela mídia sobre os avanços dos governos petistas, o site ‘Brasil da Mudança’, do Instituto Lula, postou, nesta segunda-feira (25), um novo texto no qual exalta o combate à corrupção das gestões do ex-presidente e de Dilma, mas ignora o escândalo do mensalão. O artigo sustenta que, pela primeira vez na história, o combate à corrupção se tornou uma “ação permanente do Estado”.

“Antes, eram raras as manchetes de jornais denunciando escândalos, porque os malfeitos eram quase sempre varridos para debaixo do tapete ou engavetados. E você nem ficava sabendo. A partir da chegada de Lula à Presidência, em 2003, a prevenção e o combate à corrupção tornaram-se prioridade, por meio da ação articulada entre diversos órgãos do governo federal, com transparência e incentivo à participação da sociedade civil”, afirma.

A postagem não faz qualquer referência ao escândalo de compra de apoio político no Congresso durante o primeiro mandato do governo Lula.

Em 2013, oito anos após ter vindo à tona, começaram a cumprir pena de prisão, após condenação do Supremo Tribunal Federal (STF), importantes lideranças petistas, como o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do partido José Genoino e ex-tesoureiro da legenda Delúbio Soares.

Em abril, na mais recente entrevista que deu sobre o julgamento do Supremo, Lula criticou o resultado e negou que a compra de votos tenha existido. “O tempo vai se encarregar de provar que o mensalão teve 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica”, disse o ex-presidente em entrevista a uma TV portuguesa.

O texto diz que iniciativas começaram a ser tomadas e “não pararam mais”. Entre as medidas, cita a criação da Controladoria Geral da União; o fortalecimento, a modernização e a independência da Polícia Federal; a autonomia do Ministério Público Federal, com a indicação do procurador-geral da República a partir da escolha feita pela própria categoria; a criação do Portal da Transparência; e a Lei de Acesso à Informação.

O artigo afirma que os resultados não demoraram a aparecer, estampando as manchetes dos jornais, com investigações, prisões e milhões de reais devolvidos aos cofres públicos.

“Ações concretas de combate à corrupção tornaram-se públicas, dividindo espaço com denúncias muitas vezes precipitadas e equivocadas - porque a imprensa, afinal, está sujeita a erros”, cutuca o texto, sem fazer qualquer menção ao que seriam os equívocos.

A publicação faz uma referência indireta ao governo do PSDB, quando, na época da gestão Fernando Henrique Cardoso, o então procurador-geral da República Geraldo Brindeiro chegou a ser batizado por petistas de ‘engavetador-geral da República’.


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